A notícia do aumento sempre anima. Depois, o holerite chega e a alegria diminui um pouco. Afinal, quanto sobra do aumento de salário depois do desconto? Em 2026, a resposta ficou mais interessante. Ou seja, a nova regra de redução do Imposto de Renda mudou o jogo em uma faixa específica.
Neste guia você vai ver a conta completa. Além disso, ela foi feita com as tabelas vigentes. Aliás, você também vai encontrar um alerta sobre os exemplos desatualizados que circulam por aí.
Quanto sobra do aumento de salário: faça a conta agora
Antes da teoria, veja o seu próprio número. Nossa calculadora de salário líquido aplica as tabelas do INSS e do Imposto de Renda. Ou seja, ela mostra quanto entra na conta depois dos descontos obrigatórios.
Use a ferramenta duas vezes. Primeiro, com o salário atual. Depois, com o salário proposto. Assim, a diferença entre os dois resultados é o aumento de verdade.
Esse hábito simples muda qualquer negociação. Aliás, ele evita comemorar um número bruto que encolhe bastante no caminho.
Em seguida, anote os dois valores líquidos em um papel. Desse modo, você conversa com o gestor usando dados, e não impressão.
As duas tabelas que definem quanto sobra do aumento de salário
Dois descontos obrigatórios explicam quase tudo. Primeiro vem o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Depois vem o IR (Imposto de Renda) retido na fonte.
A tabela do INSS em 2026 é progressiva por faixas. Ou seja, cada alíquota incide apenas sobre a parte do salário dentro daquela faixa. Ela vem da Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 9 de janeiro de 2026.
- Até R$ 1.621,00: alíquota de 7,5%.
- De R$ 1.621,01 até R$ 2.902,84: alíquota de 9%.
- De R$ 2.902,85 até R$ 4.354,27: alíquota de 12%.
- De R$ 4.354,28 até R$ 8.475,55: alíquota de 14%.
O teto de contribuição é R$ 8.475,55. Logo, o desconto máximo do INSS em 2026 é de R$ 988,09 por mês. Portanto, acima desse ponto o valor descontado não sobe mais.
Já a tabela mensal do Imposto de Renda isenta a base até R$ 2.428,80. Em seguida, aplica alíquotas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. Além disso, cada faixa tem a sua parcela a deduzir.
Existe ainda o desconto simplificado de R$ 607,20. Nesse caso, ele substitui todas as deduções legais. Assim, o empregador aplica sempre o que for mais vantajoso para o trabalhador.

A regra de redução entre R$ 5.000 e R$ 7.350
A Lei 15.270/2025 criou uma redução do imposto. Ela funciona depois do cálculo normal da tabela. Portanto, entra como um abatimento final.
Para rendimento de até R$ 5.000,00, a redução zera o imposto. De fato, ela chega a R$ 312,89, valor exato que anula a conta nesse patamar.
Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, a redução encolhe de forma linear. Ou seja, a fórmula é R$ 978,62 menos 0,133145 multiplicado pelo rendimento. Acima de R$ 7.350,00, por outro lado, não existe redução alguma.
Um detalhe técnico costuma passar batido. Aliás, ele é a fonte mais comum de erro. A fórmula usa o salário, e não a base de cálculo.
Quanto sobra do aumento de salário: o exemplo de R$ 500
Imagine alguém que ganha R$ 5.000,00. Agora, suponha uma proposta de R$ 5.500,00. Em seguida, veja a conta completa nos dois cenários.
No salário de R$ 5.000,00, o INSS é de R$ 501,51. Nesse caso, o desconto simplificado de R$ 607,20 supera as deduções legais. Logo, a base de cálculo fica em R$ 4.392,80.
Sobre essa base, o imposto da tabela dá R$ 312,89. Depois, a redução abate exatamente R$ 312,89. Ou seja, o imposto devido é zero e o líquido fica em R$ 4.498,49.
Agora veja o salário de R$ 5.500,00. Primeiro, o INSS sobe para R$ 571,51. Em seguida, a base vai para R$ 4.892,80 e o imposto da tabela dá R$ 436,79.
A redução, porém, cai para R$ 246,32. Desse modo, o imposto devido fica em R$ 190,47. Assim, o líquido resultante é de R$ 4.738,02.
Compare os dois resultados com calma. O bruto subiu R$ 500,00, mas o líquido subiu R$ 239,53. Portanto, pouco menos da metade do aumento chegou à conta.
Onde foi parar a diferença? Primeiro, R$ 70,00 viraram contribuição extra ao INSS. Depois, R$ 190,47 viraram imposto, porque a redução encolheu.
Mais dois cenários para você se localizar
Com salário de R$ 6.000,00, o INSS é de R$ 641,51. Nesse patamar, as deduções legais superam o desconto simplificado. Logo, a base fica em R$ 5.358,49 e o imposto devido chega a R$ 385,10.
Já com salário de R$ 7.350,00, o INSS é de R$ 830,51. Em seguida, a base cai para R$ 6.519,49 e o imposto da tabela dá R$ 884,13. Nesse ponto, a redução zera e o imposto sai integral.
De fato, o trecho entre R$ 5.000 e R$ 7.350 é o mais sensível de toda a tabela. Aliás, é ali que cada real a mais pesa mais no desconto.
Ainda assim, o líquido nunca diminui quando o bruto aumenta. Ou seja, a redução decrescente foi desenhada justamente para evitar esse degrau.
Atenção: muitos exemplos publicados usam a tabela antiga
Aqui vai um alerta que vale o post inteiro. Vários exemplos sobre a nova regra usam a tabela do INSS de 2025.
O teste é fácil de fazer. Afinal, em 2025 o salário mínimo era R$ 1.518,00 e as faixas eram outras. Por isso, o INSS de um mesmo salário dá valor diferente.
Veja um caso concreto. Para um salário de R$ 3.036,00, a tabela de 2025 gera R$ 257,73 de INSS. Com a tabela vigente de 2026, por outro lado, o valor correto é R$ 252,92.
Parece pouco, mas o efeito se propaga. Logo, a base muda, o imposto muda e o líquido sai torto.
Todos os números deste post foram refeitos com a tabela de 2026. Ainda assim, confira sempre na página de tabelas da Receita Federal. Em seguida, confirme na tabela de contribuição do INSS.
O que fazer com a diferença
Saber quanto sobra do aumento de salário serve para planejar melhor. Primeiro, ajuste o orçamento pelo líquido, nunca pelo bruto. Depois, decida o destino da diferença antes de o dinheiro cair.
Uma referência útil é a divisão por percentuais. Nesse caso, nosso texto sobre o método 50/30/20 mostra como aplicar isso na prática.
Por outro lado, se quiser entender melhor a tabela em si, existe material específico. Vale a leitura do guia sobre a tabela do Imposto de Renda em 2026.
Por fim, volte à calculadora de salário líquido e simule o seu caso. Assim, você decide com número na mão.
Além disso, vale a leitura de Vender 10 dias de férias em 2026: quanto você recebe.
Informações verificadas em setembro de 2026 na Receita Federal (tabelas 2026 e Lei 15.270/2025). Também no INSS (Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09/01/2026). Tabelas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de decidir. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.
