O cartão com limite garantido virou a porta de entrada do crédito para quem não passa na análise tradicional. A lógica é simples: você aplica um valor em CDB (Certificado de Depósito Bancário) e esse dinheiro vira limite. Além disso, a aplicação continua rendendo. No entanto, existem letras miúdas que quase ninguém lê. Este é um conteúdo informativo, e a escolha depende do perfil de cada pessoa.
Como funciona o cartão com limite garantido
O banco pede uma garantia em dinheiro antes de conceder crédito. Você aplica um valor, e ele funciona como colateral da fatura. Na maioria das instituições, a proporção é de um para um.
Ou seja, R$ 500 aplicados costumam virar R$ 500 de limite. Ainda assim, essa regra não é universal. O Banco Inter, por exemplo, também oferece a modalidade Poupança mais Limite. Já o PicPay pode multiplicar o valor guardado conforme o histórico de crédito do cliente.
Como a garantia é o seu próprio dinheiro, a análise de crédito costuma ser simplificada. Portanto, o produto atende bem quem está começando ou reconstruindo o histórico. Se esse é o seu caso, veja também o nosso guia sobre cartão de crédito para negativado.
Quais bancos oferecem cartão com limite garantido
As condições mudam bastante de uma instituição para outra. Em seguida, um resumo do que cada uma informa na própria página oficial.
- C6 Bank: aplicação a partir de R$ 100. O CDB rende 101,5% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O teto é de R$ 200 mil em limite adicional.
- PagBank: a partir de R$ 300 em CDB, na proporção de um para um. O cartão é sem anuidade e o teto chega a R$ 300 mil.
- Nubank: Caixinhas que rendem 100% do CDI, com até R$ 5 mil na caixinha específica do limite garantido e sem anuidade.
- Banco Inter: CDB Mais Limite a partir de R$ 100, na proporção de um para um e com liberação na hora. O rendimento aparece no app.
- Itaú: Cofrinho “Mais limite no Cartão” ou poupança, com conversão imediata de R$ 1 para R$ 1 de limite.
- Neon: Viracrédito a partir de R$ 10, com teto de R$ 10 mil. O CDB rende 100% do CDI, a partir do primeiro mês.
- PicPay: Cofrinho do Cartão com limite na hora e rendimento de 102% do CDI, creditado a cada 30 dias.
- Digio: CDB mais Limite com 100% ou 102% do CDI, conforme o perfil. O teto de aumento é bem menor, na casa dos milhares.
Não existe uma opção melhor de forma universal. Cada instituição se destaca em uma variável diferente. Por exemplo, a Neon tem a menor barreira de entrada. Por isso, compare o percentual de CDI de cada banco antes de escolher, porque as condições mudam.
Vale um alerta sobre a Neon. A própria página do produto afirma que o valor guardado não é garantia direta de crédito. Ou seja, ali a aplicação aumenta as chances de aprovação, mas não converte automaticamente em limite.

O dinheiro fica bloqueado? Como resgatar
Só fica bloqueada a parte comprometida com compras. O restante segue disponível para resgate a qualquer momento. No entanto, o prazo de liberação varia bastante.
- Neon: o dinheiro cai na conta em até 24 horas.
- C6 Bank: resgate em dias úteis, com crédito em até dois dias úteis.
- PicPay: resgate diário, das 7h às 23h.
- Inter: o valor da Poupança mais Limite que não estiver comprometido pode ser resgatado em até 1 dia útil.
- Digio: a parte não usada sai na hora, e o restante depois do pagamento da fatura.
Em todos os casos, resgatar reduz o limite no mesmo valor. Portanto, não trate a garantia como reserva de emergência. Para essa finalidade, veja onde deixar a reserva de emergência.
O CDB de garantia tem FGC e paga Imposto de Renda?
Sim para as duas perguntas, com uma ressalva importante. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre CDB e RDB até R$ 250 mil por CPF, por instituição ou conglomerado. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
A ressalva vale para garantias que não são CDB. O Nubank também aceita títulos do Tesouro Direto como garantia. No entanto, o FGC não cobre títulos públicos nem fundos de investimento. Além disso, o Tesouro sofre marcação a mercado, e o limite pode cair se o título desvalorizar.
Sobre tributos, a aplicação segue a regra normal da renda fixa. O IR (Imposto de Renda) é regressivo e incide apenas sobre o rendimento. As alíquotas vão de 22,5% até 180 dias a 15% acima de 720 dias. Há também IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nos primeiros 30 dias.
Ou seja, quem entra e sai rápido perde boa parte do rendimento. Para comparar com outras aplicações, veja o nosso conteúdo sobre CDB, LCI e LCA.
Riscos e letras miúdas do cartão com limite garantido
O produto é útil, mas não é mágico. De fato, alguns pontos aparecem só no contrato.
O banco pode executar a garantia. Se a fatura não for paga, o C6 pode usar o valor aplicado para quitar o débito, conforme as regras do produto. O Nubank prevê o uso do valor investido após mais de sete dias de atraso.
Pagar o mínimo não aciona a garantia. O contrato do Nubank é explícito nesse ponto. Quem paga só o mínimo entra no rotativo, mesmo tendo dinheiro guardado. Por isso, vale saber como sair do rotativo antes de precisar.
Rendimento pode demorar a começar. Neon e PicPay informam carência de 30 dias para os aportes começarem a render.
Risco de instituição existe. Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira. O FGC cobre o CDB, mas o pagamento não é imediato. Ou seja, vale olhar o emissor, e não só a taxa.
Alternativas para quem tem dificuldade de aprovação
Segundo a Serasa, o cartão com garantia gera fatura e entra no Cadastro Positivo. Portanto, o pagamento em dia ajuda a construir score.
O cartão pré-pago segue lógica diferente. Ele não concede crédito e não gera fatura. Assim, o uso não contribui para a pontuação nos birôs. Já o cartão consignado desconta o valor mínimo em folha e tem juros bem menores.
Gostou? Veja também como aumentar o score de crédito e entenda melhor a cobertura do FGC.
Informações verificadas em setembro de 2026 nas páginas oficiais das instituições citadas. Taxas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de decidir. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.
