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Cobertura do FGC: o que é garantido em 2026

Atualizado em ·7 min de leitura·Por Equipe Economia Dicas
Porta de cofre e a cobertura do FGC

Muita gente ouve a frase “tem FGC” e relaxa na hora. Só que a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) tem lista fechada, regras próprias e dois limites diferentes. Ou seja, nem tudo que aparece na tela da sua corretora está protegido. Neste texto, você vai ver o que entra, o que fica de fora e como o dinheiro chega até você. Assim, dá para montar a carteira sabendo exatamente onde está o risco.

Neste artigo
  1. O que é a cobertura do FGC e quem paga essa conta
  2. O que entra na cobertura do FGC
  3. O que fica de fora da cobertura do FGC
  4. Os dois limites que quase ninguém lê até o fim
  5. O que acontece na prática quando um banco é liquidado
  6. Como usar a cobertura do FGC sem perder rendimento
  7. Em resumo

O que é a cobertura do FGC e quem paga essa conta

O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida pelas próprias instituições financeiras. Portanto, não é dinheiro do governo. Os bancos associados pagam contribuições mensais e esse caixa forma o fundo. A participação é obrigatória para quem capta poupança, depósito à vista ou depósito a prazo.

A cobertura do FGC só é acionada em um cenário específico. Ou seja, quando o Banco Central decreta intervenção ou liquidação extrajudicial de uma associada. Na prática, o fundo devolve ao cliente o valor aplicado mais os juros já rendidos. A conta é fechada na data em que o regime especial foi decretado. Depois disso, o rendimento para de contar.

O que entra na cobertura do FGC

A lista de produtos garantidos está no regulamento do fundo. Por isso, ela não muda por decisão do banco ou da corretora. Estes são os créditos cobertos:

  • Depósitos à vista, ou seja, o saldo parado na conta corrente.
  • Depósitos de poupança.
  • CDB (Certificado de Depósito Bancário) e RDB (Recibo de Depósito Bancário).
  • Contas usadas para pagar salário, aposentadoria, pensão e benefícios parecidos.
  • Letras de câmbio, letras imobiliárias e letras hipotecárias.
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e LCD (Letra de Crédito do Desenvolvimento).
  • Operações compromissadas com títulos emitidos após 8 de março de 2012 por empresa ligada.

Repare que a maior parte da renda fixa bancária está aí dentro. Por exemplo, se você compara CDB, LCI e LCA, os três têm a mesma proteção. Assim, a diferença entre eles fica na tributação e no prazo, não na garantia.

Cofrinho com moedas e a cobertura do FGC
Foto: Pexels

O que fica de fora da cobertura do FGC

Aqui mora a confusão mais cara do investidor iniciante. Vários produtos vendidos pelo mesmo aplicativo do banco não entram na cobertura do FGC. Veja os principais:

  • Títulos públicos do Tesouro Direto, que têm garantia do próprio Tesouro Nacional.
  • Fundos de investimento de qualquer tipo, inclusive os fundos de renda fixa.
  • Ações, ETFs e BDRs.
  • Debêntures, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio).
  • LIG (Letra Imobiliária Garantida) e LF (Letra Financeira), que ficam fora da lista oficial.
  • Previdência privada, títulos de capitalização e criptomoedas.
  • Depósitos judiciais e papéis com cláusula de subordinação.

Atenção a um detalhe importante do Tesouro Direto. Ele fica fora da lista porque não precisa do fundo. No entanto, o risco continua sendo o do governo federal, e não o da sua corretora. Se quiser entender essa diferença com calma, vale a comparação entre Tesouro Selic e poupança.

Os dois limites que quase ninguém lê até o fim

O primeiro limite é o famoso teto de R$ 250 mil. Ele vale por CPF, por instituição ou por conglomerado financeiro. Ou seja, se dois bancos pertencem ao mesmo grupo, eles dividem um único limite. Além disso, o valor soma tudo o que você tem naquele grupo, principal mais juros.

O segundo limite é o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. A contagem começa na data da liquidação da primeira instituição. Por exemplo, quem recebeu R$ 250 mil ainda tem R$ 750 mil de proteção no período. Depois dos quatro anos, o teto volta a valer por inteiro. Aplicações feitas até 21 de dezembro de 2017 ficam fora dessa regra de R$ 1 milhão.

Conta conjunta divide o mesmo limite

Muita gente acredita que conta conjunta dobra a garantia. Na verdade, acontece o contrário. A conta conjunta tem direito a até R$ 250 mil no total, ou ao saldo, se ele for menor. Esse valor é dividido igualmente entre os titulares. Por exemplo, uma conta com dois titulares e R$ 300 mil garante R$ 125 mil para cada um. Associações e condomínios também têm um único limite de R$ 250 mil por instituição.

O que acontece na prática quando um banco é liquidado

O Banco Central decreta o regime especial e nomeia um liquidante. Em seguida, esse liquidante monta a lista de credores com os valores de cada CPF. Só depois dessa consolidação o fundo começa a pagar. Portanto, não existe prazo fixo para a garantia ordinária. Segundo o próprio FGC, depois de receber as informações e os documentos, o pagamento leva de 10 a 15 dias.

O pedido é feito pelo aplicativo do fundo, no caso de pessoa física. Se você comprou o papel por uma corretora, o dinheiro vai direto para você. Ou seja, a corretora não recebe no seu lugar. Ainda assim, guarde a nota de negociação do investimento.

Fique atento a golpes nesse momento. O FGC alerta que não credencia intermediários para negociar o recebimento. Além disso, o fundo não cobra taxa nem faz contato por WhatsApp ou SMS.

Como usar a cobertura do FGC sem perder rendimento

A conta é simples: distribua as aplicações entre conglomerados diferentes. Antes disso, confira no site do fundo quais instituições fazem parte do mesmo grupo. Além disso, lembre que o limite inclui os juros até a data da liquidação. Por isso, aplicar exatamente R$ 250 mil costuma ser um erro. Deixe folga para o rendimento crescer dentro do teto.

Falta explicar por que banco menor costuma pagar um percentual maior do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Instituições pequenas têm menos clientes e menos funding barato. Portanto, elas precisam oferecer taxa mais alta para atrair depósito. Esse prêmio a mais é, na prática, o preço do risco de crédito.

Mesmo dentro do teto, uma liquidação cobra seu pedágio. O dinheiro fica travado durante meses até a lista sair. Nesse intervalo, ele não rende nada. Acima de R$ 250 mil, você vira credor comum na fila da massa liquidada. Ou seja, o risco não é só de calote, é também de liquidez.

Para simular quanto cada fatia rende, use a calculadora de investimentos do site. Vale rodar também o cenário de quanto rende R$ 1.000 na renda fixa. Se o objetivo for a reserva, veja onde deixar a reserva de emergência em 2026. A Selic (taxa básica de juros do Brasil) está em 13,75% ao ano desde a decisão do Copom de 16 de setembro de 2026.

Uma observação de neutralidade: não existe instituição melhor universal. Bancos grandes se destacam em liquidez e conveniência. Instituições menores fazem sentido para quem aceita mais risco em troca de taxa. Assim, avalie seu perfil, seu prazo e o tamanho do valor.

Em resumo

A garantia existe, funciona e já foi acionada várias vezes no Brasil. No entanto, ela cobre uma lista específica e respeita dois tetos. Em resumo, saiba o que você tem, some por conglomerado e deixe folga no limite. Dessa forma, o “tem FGC” deixa de ser fé e vira controle.

Por fim, vale a leitura de LCI e LCA pagam Imposto de Renda em 2026?.

Informações verificadas em agosto de 2026 com base no site oficial do FGC (fgc.org.br). Taxas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de tomar decisões. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.

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Equipe Economia Dicas

Cada número deste texto foi conferido na fonte oficial (Banco Central, Receita Federal, gov.br e órgãos do setor) na data indicada. Conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.

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