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Tesouro Educa+: como funciona e para quem serve

O Tesouro Educa+ é, antes de tudo, o título público criado para pagar os anos de faculdade. Afinal, o custo de um curso superior não chega de uma vez. Ou seja, ele chega mensalmente, durante anos seguidos.

Por esse motivo, o produto foge do formato tradicional. Em vez de devolver tudo no vencimento, portanto, ele parcela o resgate. Neste guia, você entende as regras, os custos e os pontos de atenção.

O que é o Tesouro Educa+

Primeiro, trata-se de um título do Tesouro Direto, emitido pelo governo federal. A rentabilidade combina duas partes: a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mais uma taxa fixa.

Ou seja, o dinheiro acompanha a inflação e ainda ganha um prêmio acima dela. Essa taxa fixa, aliás, é travada no momento da compra. Depois disso, então, ela não muda para aquele aporte.

Em agosto de 2026, o IPCA acumulado em doze meses ficou em 4,22%, segundo o IBGE. A parcela fixa, portanto, se soma a esse índice ao longo do tempo.

Como o Tesouro Educa+ paga a renda mensal

O nome do título, afinal, traz o ano de conversão. No Educa+ 2033, por exemplo, os pagamentos começam em 15 de janeiro de 2033. A partir daí, assim, o dinheiro pinga por 60 meses seguidos.

Cinco anos de parcelas cobrem, justamente, a duração média de uma graduação. Logo, a lógica é casar o pagamento com o período de estudo. O vencimento final do Educa+ 2033 cai em 15 de dezembro de 2037.

Os aportes, por outro lado, ficam livres. Você pode comprar todo mês ou, então, apenas quando sobrar dinheiro. De fato, não existe obrigação de aporte mensal.

Sala de estudos com estudantes, período coberto pela renda mensal do Tesouro Educa+
Foto: Pexels

Quanto custa investir no Tesouro Educa+ hoje

O investimento mínimo, por sua vez, é uma fração do título, equivalente a 1% do preço unitário. Desse modo, dá para começar com poucas dezenas de reais. Veja, em seguida, os números conferidos em 13 de setembro de 2026.

TítuloRentabilidade anualInvestimento mínimoVencimento
Educa+ 2027IPCA + 7,50%R$ 38,9015/12/2031
Educa+ 2033IPCA + 7,48%R$ 25,3015/12/2037
Educa+ 2038IPCA + 7,27%R$ 18,1515/12/2042
Educa+ 2044IPCA + 7,25%R$ 11,9915/12/2048
Taxas consultadas no Tesouro Direto em 13/09/2026. Elas mudam todos os dias úteis.

Repare também que as taxas caem conforme o prazo aumenta. Enquanto isso, o valor mínimo também diminui. Isso acontece porque o preço unitário do título mais longo é menor hoje.

As taxas e impostos do Tesouro Educa+

Primeiro, a taxa de custódia da B3 (a bolsa brasileira) é de 0,20% ao ano. No entanto, existe uma isenção relevante. Quem mantém o título até a conversão e recebe até quatro salários mínimos por mês não paga essa taxa.

Quatro salários mínimos, ou seja, equivalem a R$ 6.484,00 em 2026. O limite, portanto, cobre a maioria das famílias que usam o produto. As regras estão detalhadas no material da B3 Educação.

Além disso, sobre o rendimento incide o IR (Imposto de Renda), pela tabela regressiva. A alíquota começa em 22,5% para até 180 dias e cai até 15% acima de 720 dias. Há ainda IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nos primeiros 30 dias.

O que muda se você resgatar antes da conversão

O resgate antecipado, por outro lado, é possível em qualquer dia útil. Ainda assim, ele custa caro em dois sentidos. Primeiro, a isenção de custódia deixa de valer. Segundo, entra a marcação a mercado.

Tempo até o resgate antecipadoTaxa de custódia anual
Antes de sete anos0,5%
Entre oito e 14 anos0,2%
Depois de 15 anos0,1%
Fonte: B3. Cobrança sobre o valor resgatado.

A marcação a mercado, aliás, merece atenção redobrada. Ou seja, ela faz o preço do título oscilar antes do prazo final. Em alguns momentos, o valor de venda fica abaixo do esperado. Explicamos esse mecanismo no guia do Tesouro IPCA+.

Como o Tesouro Educa+ se diferencia dos outros títulos

  • Tesouro Selic: acompanha a taxa básica e tem oscilação baixa no curto prazo.
  • Tesouro IPCA+: devolve tudo de uma vez no vencimento.
  • Tesouro Renda+: paga em 240 parcelas mensais e mira a aposentadoria.
  • Tesouro Educa+: paga em 60 parcelas e mira o período de estudos.

Nenhum deles é melhor por natureza, pois cada um serve a um objetivo diferente. O ponto, assim, está no encaixe entre o prazo do título e a data da despesa. Veja também o funcionamento do Tesouro Renda+.

Vale registrar também uma diferença de garantia. Afinal, títulos públicos têm a garantia do Tesouro Nacional. Já os produtos bancários contam com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ele tem limites próprios, como mostramos na cobertura do FGC.

Quem costuma usar o Tesouro Educa+

O público natural, primeiro, é a família com criança pequena e data de faculdade estimada. Nesse caso, o horizonte longo permite aportes menores. Por outro lado, o produto também atende adultos que planejam uma pós-graduação.

Avós e padrinhos também aparecem com frequência entre os investidores. Aliás, o Tesouro Direto oferece um cartão presente e uma modalidade coletiva. Assim, várias pessoas contribuem para a mesma meta.

Existe ainda um detalhe operacional importante. Ou seja, o título fica no CPF de quem investe, e não no do estudante. Logo, o destino do dinheiro depende de quem comprou.

Pontos de atenção antes de comprar

  • O ano no nome do título é o ano do primeiro pagamento, não o do vencimento.
  • Depois, note que a taxa fixa vale só para o aporte feito naquele dia.
  • Assim, aportes em datas diferentes carregam taxas diferentes.
  • A isenção de custódia exige manter o título até a conversão.
  • Além disso, o imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado.
  • A compra precisa ser feita por uma corretora ou banco habilitado.

Por fim, anote a taxa de cada compra numa planilha simples. Desse modo, você acompanha a média da carteira ao longo do tempo. Sem esse registro, fica difícil avaliar o resultado depois de alguns anos.

Como simular antes de decidir

O próprio site do Tesouro Direto, aliás, tem um simulador por idade do estudante. Basta informar a idade atual, a idade de entrada na universidade e também a renda mensal desejada. Em seguida, o sistema indica os títulos compatíveis.

Para testar cenários de aporte, use também a calculadora de investimentos do Economia Dicas. Ela mostra quanto um valor mensal acumula ao longo dos anos. Assim, fica mais fácil ajustar a meta ao orçamento real.

Por fim, lembre-se de que as taxas mudam todo dia útil. Portanto, consulte o site oficial na hora da compra. O número que você viu ontem pode não estar mais valendo.

Informações verificadas em setembro de 2026 no Tesouro Direto, na B3 e no Banco Central. Taxas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de decidir. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.

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