
Muita gente abre uma conta de banco digital achando que nunca vai pagar nada. Na prática, as tarifas em conta digital existem e aparecem em situações bem específicas. Ou seja, “conta sem tarifa” quase sempre significa “sem tarifa mensal de manutenção”. Por isso, vale entender o que a regulação garante de graça. Além disso, vale mapear onde a cobrança costuma surgir depois. Este texto mostra exatamente o que checar antes de abrir a conta.
Neste artigo
- O pacote gratuito que a regulação garante
- Onde aparecem as tarifas em conta digital de verdade
- Tarifas em conta digital ligadas a câmbio e viagem
- O custo escondido do rendimento sobre o saldo
- Como conferir as tarifas em conta digital na fonte oficial
- Checklist de 7 perguntas antes de abrir a conta
- Conclusão
O pacote gratuito que a regulação garante
A base de tudo é a Resolução CMN nº 3.919/2010, do Banco Central do Brasil. Ela proíbe tarifa de pessoa física em um grupo de serviços chamados essenciais. Portanto, esse pacote vale em qualquer conta de depósitos à vista, digital ou não. No entanto, a gratuidade tem limite de eventos por mês.
- Fornecimento do cartão com função débito.
- Até quatro saques por mês, em caixa ou em terminal de autoatendimento.
- Até duas transferências por mês entre contas da mesma instituição.
- Até dois extratos por mês, com a movimentação dos últimos trinta dias.
- Consultas feitas pela internet.
- Compensação de cheques e até dez folhas por mês.
- Extrato anual com todas as tarifas pagas no ano anterior.
Dois detalhes mudam essa conta na prática. Primeiro, os eventos gratuitos não acumulam para o mês seguinte. Em seguida, saques feitos em terminal dentro de trinta minutos contam como um evento só. Ainda assim, contas com contrato exclusivamente eletrônico têm regra melhor. Nelas, a resolução veda tarifa para saque em terminal, extrato eletrônico e TED pela internet.
A poupança tem lista própria
Na conta de poupança, o pacote gratuito é menor. São até dois saques, duas transferências para conta de mesma titularidade e dois extratos por mês. Por exemplo, quem usa a poupança digital como reserva de emergência precisa observar esses limites.
Onde aparecem as tarifas em conta digital de verdade
Agora vem a parte que o anúncio não conta. As tarifas em conta digital aparecem nas bordas do serviço, e não no básico do dia a dia. Por isso, olhe com lupa os pontos abaixo.
- Saque em rede terceirizada, que fica fora dos quatro saques gratuitos.
- Boleto gerado para colocar dinheiro na própria conta, quando existe esse recurso.
- TED ou DOC feitos por atendimento pessoal, e não pelo aplicativo.
- Segunda via de cartão por perda, roubo, furto ou dano causado pelo cliente.
- Aviso por mensagem no celular a cada movimentação da conta.
- Avaliação emergencial de crédito e adiantamento para cobrir saldo negativo.
- Antecipação de recebíveis na maquininha, que desconta um percentual do valor.
- Serviços de conta para empresa, porque pessoa jurídica não tem lista padronizada.
Repare no último item da lista. Para pessoa jurídica não existe pacote essencial obrigatório. Assim, a instituição pode tarifar praticamente qualquer serviço prestado à empresa. Por isso, quem abre conta PJ gratuita como MEI (Microempreendedor Individual) precisa ler o contrato inteiro.

Tarifas em conta digital ligadas a câmbio e viagem
Compra internacional é onde o custo aparece mais rápido. Antes de tudo, existe o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ele não é tarifa da instituição, mas entra no valor final da fatura. Pelo Decreto nº 12.499, de 11 de junho de 2025, a alíquota é de 3,5%.
Esse percentual vale para compra de bens e serviços no exterior com cartão. Além disso, vale para saque no exterior, carga de cartão pré-pago internacional e compra de moeda em espécie.
Depois disso, entra a diferença que cada casa cobra na conversão. Ou seja, a taxa de conversão varia de instituição para instituição. A norma ainda permite tarifa própria na operação de câmbio manual para viagem. Portanto, compare o valor final em reais, e não apenas a alíquota do imposto.
O custo escondido do rendimento sobre o saldo
Existe um custo que não aparece em tabela nenhuma: o rendimento menor sobre o dinheiro parado. Muitas contas digitais remuneram o saldo com base no CDI (Certificado de Depósito Interbancário). No entanto, o percentual do CDI muda bastante de instituição para instituição.
Algumas aplicam percentuais diferentes por faixa de saldo. Outras exigem prazo mínimo de aplicação para pagar o percentual cheio. A Selic (taxa básica de juros do Brasil) estava em 14,00% ao ano em agosto de 2026 e passou a 13,75% em 16 de setembro. Por isso, cada ponto de diferença pesa no bolso. Afinal, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou 4,44% em doze meses até julho de 2026, segundo o IBGE.
Ainda assim, o rendimento costuma sofrer desconto de IR (Imposto de Renda) na fonte. Por isso, não confie em post de rede social sobre esse percentual. Em vez disso, abra o site oficial da instituição e leia a regra atual. Se quiser um ponto de partida, veja este comparativo de contas em bancos digitais. Também vale ler esta comparação entre duas contas digitais populares. Não existe opção melhor universal, avalie o seu perfil de uso.
Como conferir as tarifas em conta digital na fonte oficial
Aqui está o passo que quase ninguém dá. A própria resolução obriga cada instituição a publicar as tabelas no site. Portanto, a tabela de tarifas em conta digital não é segredo, e sim documento obrigatório.
Procure por quatro tabelas. A primeira lista os serviços que não podem ser cobrados. A segunda traz os prioritários, com o valor de cada tarifa. Em seguida, vem o pacote padronizado. Por fim, aparecem os demais serviços da casa.
Depois, use o canal do regulador. O Banco Central publica uma consulta de tarifas por instituição. Assim, dá para comparar o mesmo serviço em casas diferentes. Se a cobrança parecer indevida, você pode registrar reclamação no Banco Central.
Dois prazos ajudam na sua defesa. Aumento de tarifa exige aviso com trinta dias de antecedência. No caso de cartão de crédito, o prazo sobe para quarenta e cinco dias. Além disso, a instituição deve entregar até 28 de fevereiro o extrato de tarifas do ano anterior.
Checklist de 7 perguntas antes de abrir a conta
Antes de assinar, responda a estas sete perguntas. Na prática, elas cobrem quase todo risco de surpresa.
- A conta é de depósitos à vista ou é conta de pagamento?
- Quantos saques são gratuitos por mês, e em qual rede de terminais?
- Quanto custa o saque feito em rede terceirizada?
- O cartão físico é gratuito, e quanto custa a segunda via?
- TED e transferências fora do aplicativo têm tarifa?
- Qual o rendimento do saldo, com qual carência e qual desconto de imposto?
- Onde fica a tabela de tarifas no site, e qual a data de atualização?
Guarde as respostas por escrito ou salve a página. Em resumo, a conta boa é a que combina com o seu uso real. Se você já tem conta em outro banco, avalie também a portabilidade de salário. E entenda como o Open Finance no Brasil ajuda a comparar produtos.
Conclusão
Conta sem tarifa mensal não é conta sem custo. Portanto, olhe o pacote gratuito, a tabela oficial e o rendimento do saldo. Assim, você escolhe com número na mão, e não com promessa de propaganda.
Por fim, vale a leitura de Conta digital para negativado: como abrir em 2026.
Aliás, vale a leitura de Valores a receber do Banco Central: como resgatar em 2026.
Informações verificadas em agosto de 2026 com base na Resolução CMN nº 3.919/2010 e no Banco Central do Brasil. Taxas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de tomar decisões. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.
Cada número deste texto foi conferido na fonte oficial (Banco Central, Receita Federal, gov.br e órgãos do setor) na data indicada. Conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.
