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Fim da escala 6x1: como fica o salário e a hora extra

Publicado em ·5 min de leitura·Por Equipe Economia Dicas
Relógio de ponto antigo na parede de tijolos, símbolo da jornada que muda com o fim da escala 6x1

O fim da escala 6x1 já está na Constituição. Afinal, a Emenda Constitucional 141 foi promulgada em 16 de outubro de 2026. Ela reduz a jornada máxima e garante dois dias de folga por semana.

Mas o que muda no seu bolso? Em resumo, o salário não pode cair, e a sua hora de trabalho passa a valer mais. Neste guia, você vê as datas, as regras e as contas da hora extra com exemplos.

Neste artigo
  1. O que diz a emenda do fim da escala 6x1
  2. Quando a jornada de 42 horas começa a valer
  3. O salário pode diminuir com o fim da escala 6x1?
  4. Como fica o valor da sua hora de trabalho
  5. Como calcular a hora extra depois do fim da escala 6x1
  6. Quem fica fora das novas regras
  7. O que fazer agora

O que diz a emenda do fim da escala 6x1

O texto está publicado no Planalto. Com ele, a jornada normal passa a ter limite de 8 horas por dia e 40 por semana. Além disso, o repouso semanal remunerado passa de um para dois dias.

De acordo com a emenda, um desses dias de folga deve cair, de preferência, no domingo. Ou seja, a escala 6x1 dá lugar, na prática, à escala 5x2.

A mudança vale para os contratos que já estão em vigor. Portanto, quem trabalha hoje na escala 6x1 também é alcançado, sem precisar assinar nada novo.

Quando a jornada de 42 horas começa a valer

A redução acontece em duas etapas. Primeiro, dois meses depois da publicação, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais. Segundo a Agência Senado, essa etapa começa em 15 de dezembro de 2026.

  • 15 de dezembro de 2026: jornada máxima de 42 horas e dois dias de folga por semana.
  • 15 de dezembro de 2027: jornada máxima de 40 horas semanais.
  • Até lá: acordos e convenções coletivas podem ajustar a jornada diária para encaixar as 42 horas.

Enquanto isso, cláusulas de convenções que contrariem as novas regras perdem efeito em dois meses. Nesse caso, valem as regras da Constituição.

O salário pode diminuir com o fim da escala 6x1?

Não. O artigo 2º da emenda proíbe qualquer redução salarial, seja nominal ou proporcional. Aliás, a regra vale também para os pisos salariais das categorias.

Do mesmo modo, quem já trabalha 40 horas ou menos não pode ter a jornada reduzida de forma proporcional. Assim, a empresa não pode cortar horas e salário para “compensar” a mudança.

Por outro lado, o fim da escala 6x1 não aumenta o salário mensal de forma automática. O que muda é a quantidade de horas que você entrega por aquele mesmo valor.

Trabalhador cansado apoiado na mesa diante do notebook, rotina que muda com o fim da escala 6x1

Como fica o valor da sua hora de trabalho

Para entender o efeito do fim da escala 6x1 no bolso, comece pelo valor da hora. Hoje, a conta mais usada para achar o valor da hora divide o salário por 220. Esse número vem da jornada de 44 horas vezes 5. De fato, o próprio decreto do salário mínimo de 2026 usa essa lógica: R$ 1.621 por mês e R$ 7,37 por hora.

Com 42 horas, o divisor tende a cair para 210. Depois, com 40 horas, para 200. No entanto, o divisor oficial pode ser regulamentado, então confira sempre o seu holerite.

  • Quem ganha R$ 1.621: a hora vai de R$ 7,37 para R$ 7,72. Com 40 horas, chega a R$ 8,11.
  • Com R$ 2.000: a hora vai de R$ 9,09 para R$ 9,52 e, depois, R$ 10,00.
  • Para R$ 3.000: sobe de R$ 13,64 para R$ 14,29 e, depois, R$ 15,00.
  • Já com R$ 4.500: passa de R$ 20,45 para R$ 21,43 e, depois, R$ 22,50.

Em outras palavras, com o fim da escala 6x1, a mesma renda paga menos horas. Logo, cada hora trabalhada fica mais cara para a empresa e vale mais para você.

Como calcular a hora extra depois do fim da escala 6x1

A Constituição garante que a hora extra vale, no mínimo, 50% a mais que a hora normal. Por isso, quando o valor da hora sobe, a hora extra sobe junto.

Veja o exemplo de quem ganha R$ 3.000. Hoje, com divisor 220, a hora extra a 50% vale R$ 20,45. Com 42 horas, passa a R$ 21,43. Já com 40 horas, chega a R$ 22,50.

Além disso, a partir de 15 de dezembro, o que passar de 42 horas semanais tende a virar hora extra. Ainda assim, convenções coletivas podem prever banco de horas ou compensação, dentro dos limites da emenda.

Quer ver quanto sobra no fim do mês com os descontos? Então use a calculadora de salário líquido. Ela mostra o INSS e o Imposto de Renda de 2026 sobre o seu salário.

Quem fica fora das novas regras

Nem todo trabalhador entra na mudança. Por exemplo, a emenda não altera a jornada dos servidores públicos estatutários. Do mesmo modo, existe uma exceção para salários altos.

  • Salário alto: com diploma e salário de 2,5 tetos do INSS ou mais, não há controle de jornada.
  • Pequenos negócios: uma lei complementar ainda pode criar regras de transição para MEI, microempresas e empresas de pequeno porte.
  • Contratos com o governo: empresas terceirizadas têm até um ano para adaptar os contratos públicos.

O teto do INSS de 2026, de R$ 8.475,55, foi definido pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026, da Previdência Social. Portanto, 2,5 vezes esse valor dá R$ 21.188,88 por mês.

O que fazer agora

Até o fim da escala 6x1 chegar à sua empresa, vale se organizar. Primeiro, confira no contrato e no holerite a sua jornada atual. Em seguida, veja se o sindicato da sua categoria já negociou a nova escala.

Depois, guarde os comprovantes de ponto a partir de 15 de dezembro. Afinal, eles provam as horas extras, se a empresa não ajustar a jornada a tempo.

Por fim, dezembro já é um mês cheio de dinheiro extra. Para planejar, veja quando cai a primeira parcela do 13º salário e quanto rende vender 10 dias de férias. Se você faz bico no fim de ano, leia também sobre o trabalho temporário de fim de ano.

Além disso, vale a leitura de Trabalhar no dia da eleição: é feriado e paga em dobro?.

Informações verificadas em outubro/2026 no Planalto (EC 141/2026 e Decreto 12.797/2025), na Agência Senado e na Previdência Social. Taxas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de decidir. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.

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Equipe Economia Dicas

Cada número deste texto foi conferido na fonte oficial (Banco Central, Receita Federal, gov.br e órgãos do setor) na data indicada. Conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.

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