
Recebeu uma proposta para trabalhar como pessoa jurídica e ficou na dúvida entre CLT ou PJ? A resposta mudou em 2026. Afinal, a isenção do IR (Imposto de Renda) até R$ 5 mil fortaleceu o salário CLT nessa faixa.
Por isso, neste guia, fazemos a conta completa com números de 2026. Primeiro, calculamos o líquido CLT na nossa calculadora. Depois, somamos os direitos que o PJ não tem. Por fim, vemos quanto o PJ precisa faturar para empatar.
Neste artigo
CLT ou PJ: o primeiro passo é o salário líquido
Para começar, vamos usar um salário de R$ 5.000 como exemplo. Na calculadora de salário líquido do site, sem dependentes e sem outros descontos, o resultado é este:
- Salário bruto: R$ 5.000,00.
- INSS (Instituto Nacional do Seguro Social): R$ 501,51, pela tabela progressiva de 2026.
- IR retido: R$ 0,00, por causa da isenção até R$ 5 mil.
- Salário líquido: R$ 4.498,49 por mês.
Em 2025, aliás, esse mesmo salário pagava IR na fonte. Contudo, a Lei nº 15.270/2025 zerou o imposto para rendimentos de até R$ 5 mil por mês. Entre R$ 5 mil e R$ 7.350, ele cai de forma gradual.
Agora, faça o teste com o seu salário. Coloque o valor da proposta CLT na calculadora e anote o líquido. Afinal, esse número é a base de toda a comparação entre CLT ou PJ.
CLT ou PJ: o que a carteira paga além do salário
No entanto, comparar só o líquido mensal engana muita gente. Isso porque o CLT recebe direitos que o PJ precisa bancar sozinho. Veja os valores brutos anuais de um salário de R$ 5.000:
- 13º salário: R$ 5.000.
- Um terço de férias: R$ 1.666,67.
- FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço): 8% sobre salários, 13º e férias, cerca de R$ 5.333 no ano.
- Total extra: cerca de R$ 12.000 por ano, ou R$ 1.000 por mês.
Ou seja, o pacote CLT equivale a cerca de R$ 5.498 por mês. Para chegar nele, somamos o líquido e a média dos extras. Vale lembrar que esses extras são brutos, já que 13º e férias também têm descontos. Ainda assim, a conta dá uma boa noção do tamanho da diferença.
Além disso, há direitos difíceis de medir em reais. Entre eles, por exemplo, estão o seguro-desemprego e as férias pagas. Também conta a multa de 40% do FGTS na demissão sem justa causa.

Quanto o PJ paga de imposto
Do lado PJ, por sua vez, quase todo prestador de serviço pequeno fica no Simples Nacional. Pela Lei Complementar nº 123/2006, a alíquota depende do anexo da atividade.
- Anexo III: alíquota de 6% na primeira faixa, para receita de até R$ 180 mil em 12 meses.
- Anexo V: alíquota de 15,5% na primeira faixa.
- Fator R: várias atividades do Anexo V migram para o Anexo III quando a folha chega a 28% da receita.
Por esse motivo, muitos PJs pagam um pró-labore de pelo menos 28% do faturamento. Na conta do Fator R, o pró-labore entra como folha. Sobre ele, o sócio recolhe 11% de INSS. Depois, o restante sai como lucro. Hoje, a retenção de IR sobre lucros só começa acima de R$ 50 mil por mês da mesma empresa.
A conta de CLT ou PJ: quanto faturar
Agora, vamos simular um faturamento de R$ 6.500 por mês, no Anexo III com Fator R. Nesse caso, o resultado mensal fica assim:
- Imposto do Simples (6%): R$ 390,00.
- Pró-labore (28%): R$ 1.820,00, com INSS de 11% igual a R$ 200,20.
- IR sobre o pró-labore: R$ 0,00, porque fica abaixo de R$ 5 mil.
- Sobra antes do contador: R$ 5.909,80.
Portanto, nessa simulação de CLT ou PJ, um PJ de R$ 6.500 fica acima do pacote CLT de R$ 5.498. No entanto, a diferença de cerca de R$ 411 precisa pagar o contador. Além disso, ela deve formar uma reserva para os meses sem trabalho. Em outras palavras, o PJ precisou faturar 30% a mais que o salário CLT para ter essa pequena folga.
Por outro lado, se a atividade cair no Anexo V sem Fator R, o imposto sobe para R$ 1.007,50. Nesse cenário, a mesma vantagem some. Por isso, confirme o anexo do seu CNAE com um contador antes de aceitar.
E se der para ser MEI?
Primeiro, o MEI (Microempreendedor Individual) paga um valor fixo mensal, bem menor que o Simples comum. No entanto, só vale para atividades da lista do MEI, e muitas profissões intelectuais ficam de fora.
Além disso, o limite de faturamento em 2026 é de R$ 81 mil por ano. Isso dá cerca de R$ 6.750 por mês. Enquanto isso, um projeto sobe esse teto para R$ 110 mil em 2027, como explicamos em novo limite do MEI. Portanto, confira se a sua atividade está na lista antes de abrir o CNPJ.
CLT ou PJ: como decidir com os seus números
- Primeiro, rode o salário CLT na calculadora e anote o líquido.
- Depois, some 13º, um terço de férias e FGTS, e divida por 12.
- Em seguida, peça ao contador o anexo e a alíquota da sua atividade.
- Então, desconte imposto, INSS do pró-labore e contador do faturamento PJ.
- Por último, compare os dois números e inclua benefícios como plano de saúde.
Em resumo, a decisão entre CLT ou PJ depende da faixa salarial e da atividade. Também pesa a sua tolerância a risco, já que o PJ não tem renda garantida.
De fato, a isenção do IR de 2026 encareceu a troca para quem ganha até R$ 5 mil. Já em salários mais altos, a diferença a favor do PJ pode crescer. Afinal, o IR na CLT chega a 27,5%. Ainda assim, cada caso exige a conta com os seus números. Por fim, se escolher o PJ, vale saber quanto cobrar por hora e montar um planejamento financeiro para renda variável.
Informações verificadas em outubro/2026 no Planalto (Lei nº 15.270/2025 e LC nº 123/2006) e na tabela do INSS de 2026. Taxas e condições podem mudar. Consulte sempre as fontes oficiais antes de decidir. Conteúdo educativo, não recomendação de investimento.
Cada número deste texto foi conferido na fonte oficial (Banco Central, Receita Federal, gov.br e órgãos do setor) na data indicada. Conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.
